Folha de São Paulo dá destaque aos cursos superiores de tecnologia
“Em 6 anos, cresce 135% a oferta de cursos tecnológicos de nível superior”. Essa é a chamada de capa do caderno Fovest da Folha de São Paulo de 21 de julho de 2010. A matéria destaca que o foco no mundo de trabalho e a graduação em menos tempo são os diferenciais do ensino tecnológico. Assim, oferece-se um ensino superior de qualidade aliado à agilidade de formação exigida pelo mercado.
Andressa Taffarel, autora do artigo, afirma que a principal dificuldade enfrentada pelos cursos tecnológicos é a confusão com os cursos técnicos. Ela recorre à reitora do Instituto Federal de Santa Catarina para esclarecer esse tema: “o tecnólogo não é um técnico melhorado. É um curso superior, e quem sai dele pode fazer mestrado, doutorado”.
A Ftec Faculdades, pioneira no oferecimento de cursos de tecnologia na Serra Gaúcha e no Rio Grande do Sul, mostra-se alinhada ao que há de mais moderno na educação superior. Abaixo, o texto de Andressa Taffarel.
Instituto federal forma mais rápido
Com foco no mercado de trabalho, os cursos superiores de tecnologia cresceram nos últimos anos em ritmo acelerado, assim como a economia do país.
Responsáveis por grande parte das vagas oferecidas no Sisu (sistema do Ministério da Educação que usa a nota do Enem), os institutos federais estão distribuídos por todos os Estados alguns têm até mais de um.
Dados de 2008 do Censo da Educação Superior, do MEC, mostram que o número de cursos de tecnologia nos institutos, que eram conhecidos como Cefets, cresceu 135% em seis anos – de 146, em 2002, para 343, em 2008.
Um dos motivos é que esses cursos podem formar profissionais especializados mais rápido. Em média, os tecnológicos duram de 2 a 3 anos, enquanto os bacharelados podem chegar a 5.
“Parte do mercado de trabalho não pode esperar tanto tempo [por um bacharel], e os tecnólogos têm uma formação tão qualificada quanto os bacharéis, só que mais específica”, afirma o secretário de Educação Profissional e Tecnológica do MEC, Eliezer Pacheco.
O projeto de expansão dos institutos federais também faz parte de uma política do governo Lula, que pretende oferecer ensino superior gratuito nas cidades do interior.
Outro objetivo é criar cursos que possam suprir necessidades regionais do mercado. A carga horária costuma ser intensa, com cursos de período integral. “É muito bom, mas bem puxado”, afirma Cássia Cabral, 23, que faz engenharia de controle e automação no IFSP (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de SP).
DIFICULDADES
Uma das dificuldades dos institutos é mostrar que os cursos de tecnologia são de ensino superior, e não de nível médio, como os técnicos. “O tecnólogo não é um técnico melhorado. [O tecnológico] É um curso superior, e quem sai dele pode fazer mestrado, doutorado”, diz Consuelo Sielski Santos, reitora do instituto de SC.
A falta de parceria com empresas para realizar pesquisas é outro problema que alguns institutos encontram. “A maioria das empresas não nos conhece”, diz Yoshikazu Suzumura Filho, reitor em exercício do IFSP.
Veja a lista dos cursos superiores de tecnologia oferecidos no país
folha.com.br/101969
Mais de 80% das vagas estão nas particulares
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A maior parte dos alunos dos cursos de tecnologia estudam em instituições privadas – assim como ocorre no ensino superior em geral.
Em 2008, segundo censo do MEC, a rede particular era responsável por 83% das vagas – 3,8 milhões de matrículas foram feitas na rede particular, de um total de 5 milhões.
A expansão dos cursos superiores de tecnologia também foi maior na rede particular, onde o número de cursos cresceu quase 800%. Em 2002, eram 421 cursos, e em 2008, 3.773.
Química, construção e informática estão entre as áreas em alta
Copa de 2014 e Olimpíada de 2016 devem aumentar a demanda pelos tecnólogos
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Muitos dos cursos tecnológicos são considerados inovadores por especialistas, por atenderem rapidamente a necessidades da economia. “O governo também já percebeu a importância desses cursos, que deve ser ainda maior com eventos como a Olimpíada [de 2016] e a Copa do Mundo [de 2014], que precisam de profissionais especializados em pouco tempo”, diz Carlos Monteiro, consultor de ensino superior.
A opinião é a mesma de Francisco Borges, diretor acadêmico da Veris Faculdades, que tem quase 20 anos de experiência em ensino superior de tecnologia.
“O que o mercado precisa agora é de mão de obra rápida, mas qualificada.”
Dentre as áreas que estão mais aquecidas no mercado, Borges destaca química, por causa das pesquisas em petróleo e pré-sal, construção civil e informática.
Andressa Taffarel
Fonte: Folha de São Paulo