À procura de um conselho de administração
Grande número de empresas em busca de capital amplia interesse por profissionais para aprimorar gestão.
Requisitos básicos para a vaga: ter experiência administrativa e boa formação acadêmica. É desejável ter bons conhecimentos em finanças. E básico ter disposição para olhar balanços com lupa e vontade de contestar os colegas sempre que necessário nas reuniões. A contratante é uma empresa em franca expansão, com grandes ambições.
Entre elas a de receber aporte de um fundo de private equity ou de um banco de fomento. Abrir capital e vender ações na Bovespa pode ser uma alternativa. O trecho acima bem que poderia ser extraído de um anúncio para contratar um conselheiro. O movimento é cada vez mais comum em tempos de crescente envolvimento de pequenas e médias companhias em fusões aquisições. “Desde o meio do ano passado empresas com essas características estão em busca de conselheiros que possam ajudá- las a avaliar melhor seus riscos para sair em busca de investidores de uma forma mais certeira e racional”, afirma Lia Roston,
sócia do Rayes, Fagundes e Oliveira Ramos. Ao contrário de muitas companhias que abriram capital recentemente, o perfil do conselheiro desejado por essas empresas não inclui figurões ou executivos que já compuseram os quadros da administração central, explica Luiz Marcatti, sócio da empresa de consultoria Mesa. “Alguém assim até pode ser um bom abridor de portas pela sua influência.
Mas o que as empresas nesse estágio procuram de verdade são executivos dispostos a colocar a mão na massa, participar das decisões estratégicas e que já tenham vivenciado a experiência pela qual a companhia quer passar em breve”, diz. Acostumado a selecionar conselheiros, o especialista lembra que à demanda por executivos qualificados e acostumados a decisões importantes somam-se outras, como a empatia com o contratante. “É preciso dar liga. Já vivi casos em que gente altamente técnica, que veio de multinacional, e não conseguiu se adaptar às necessidades de uma empresa de origem familiar”, lembra.
Um interlocutor externo qualificado que também tivesse o jogo de cintura necessário para entender os anseios de uma empresa com a governança corporativa em plena construção era o ponto de equilíbrio buscado pela Alog, que atua com data centers, quando convidou Renato Chaves para atuar como seu conselheiro independente. Habituado à rotina não raro protocolar de assembléias e conselhos de grandes empresas—experiência acumulada por sua passagem como diretor de participações da Previ — Chaves vive hoje algo bem distinto. “Uma das vantagens do trabalho em um conselho de empresa menor é que há uma proximidade muito maior entre seus componentes que, conhecendo bem o dia a dia, podem se envolver muito mais com as decisões estratégicas.” Outra preocupação que empresas que querem abrir capital têm para montar um conselho de administração é demonstrar maturidade a futuros investidores. “Não adianta montar um conselho só para cumprir tabela, apenas porque esse é um requisito a ser cumpr ido porque o mercado exige”, acredita um dos sócios da A e C, Cássio Rocha de Azevedo.
A empresa, que atua com tecnologia da informação nas pontas de consultoria, licenciamento de softwares e serviços de telemarketing, deve contratar dois conselheiros independentes até o final do ano. Já para a fornecedora de serviços de tecnologia da informação BRQ, cujo único conselheiro externo até agora é o BNDES, a procura por novos membros independentes envolve outro dilema. “Buscamos um misto de entendimento do setor, com conhecimento os desafios da legislação trabalhista, e que tenha bom trânsito no governo para mostrar que o segmento é um grande empregador”, aponta o presidente da empresa, Benjamin Quadros.
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02/03/2010